Resenha #105: Misery - Stephen King (@ Suma de Letras)

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Título: Misery - Louca Obsessão
Título Original: Misery
Autor: Stephen King
Série: ---
Páginas: 326
Ano: 2014
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Sua fã número um.
Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca.
Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.
A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.


Misery foi um dos quatro livros que escolhi para ler em outubro, num projeto de terror. O projeto flopou porque consegui ler dois e meio (O Cemitério), mas é isso aí e a vida segue.

Quando comecei a ler Misery, pensei que estaria preparada para tudo que viesse. Afinal, já havia assistido a adaptação. Ledo engano meu.

De todos os personagens que já li do King, acho que Annie Wilkes foi um dos melhores construídos. Além de sociopata, Annie era bipolar e isso era bem pior para Paul.

“Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante Novril (na verdade, tinha muitos remédios de vários tipos). A segunda, que ela era viciada em Novril. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca.”

No começo, Paul achava que Annie era só mais uma fã obcecada por ele. Porém, na primeira vez que ele a contraria, aí que o terror começa. Depois disso, Paul nunca sabia qual seria o humor de Annie quando ela entrava naquele quarto. Annie tinha variações de humor em questões de segundos durante uma simples conversa.

Em alguns momentos, chegava a dar pena de Annie, quando ela atingia o estado de depressão. Mas esse sentimento era logo substituído quando ela voltava ao seu estado normal.

Todos, inclusive Paul, achavam que Annie era só mais uma ex-enfermeira um tanto quanto burra. Annie foi uma das personagens mais inteligentes que já cruzei nessa vida. Apesar de vários de seus pensamentos serem bastante nublados por conta da sua condição, ela conseguia arquitetar tudo, sem esquecer de nenhum detalhe.


O livro todo é um terror psicológico e eu creio que esse é pior do que ler pessoas sendo mutiladas e afins. Era bem agonizante ver Paul sofrer nas mãos de Annie, principalmente quando ela o privava no remédio que estava medicando para sua recuperação. Isso quando ela não apela para o castigo físico. Doeu em mim o desespero de Paul.

O pior de tudo é que Annie acha que está fazendo um favor para Paul, o forçando a escrever mais um livro com a personagem que mais fez sucesso - Misery. Em certos momentos, Paul começa a achar que isso é verdade pois, como ele mesmo diz, O Retorno de Misery foi um dos melhores livros que ele escreveu. Com isso, ouso dizer que Misery foi um dos melhores livros que Stephen King escreveu.

“Você foi a Sherazade de si mesmo, pensou ele.”

Além de acompanhar o sofrimento de Paul, durante a leitura, também temos alguns pedaços sobre o livro que ele está escrevendo e achei bem legal isso. King deu uma amostra do “deixauver” nesses pedaços que eu fiquei com bastante vontade de conhecer mais sobre a história de Misery.

Comparando com o filme, apesar de terem sido bem “leves” em adaptar como Annie tratava Paul, Kathy Bates realmente incorporou o espírito da ex-enfermeira bipolar e psicopata, rendendo um Oscar de Melhor Atriz por essa atuação.*

Quando mais próximo chegava do final, eu ficava mais angustiada. Apesar de já saber o final, eu me pegava pensando se Paul iria conseguir se livrar de Annie. De certa forma, ele não conseguiu. Toda essa experiência o marcou profundamente.

Algum tempo atrás, eu li que Misery é uma metáfora da vida de Stephen, na época que ele era viciado em cocaína. Assim como O Iluminado foi baseado quando ele se “trancafiou” em um hotel, enquanto escrevia Carrie, A Estranha.

Assim como em Joyland e em seus contos em Escuridão Total Sem Estrelas, Stephen King mostra em Misery que o ser humano pode ser cometer atrocidades tão piores quanto monstros sobrenaturais.

*A primeira edição do livro foi lançada em 1987 e sua adaptação feita em 1990

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